Concepções acerca do Arrebatamento

29/06/2011 15:48

1. Pré-Tribulação

Cristo virá para os seus santos; depois ele virá com os seus santos. O primeiro estágio da vinda de Cristo é chamado de arrebatamento; o segundo é chamado de revelação. A escola mais antiga acentuava a questão da “iminência”. Todavia, atualmente o ponto crucial desta posição concentra-se mais no aspecto da ira de Deus e se a igreja será chamada a experimentar parte dela ou toda ela durante a tribulação.

 

Argumentos a Favor

1.    A Bíblia diz que os cristãos (a igreja) estão isentos da ira divina (I Ts 1.10). Essa isenção não significa que a igreja não experimenta provações, perseguição ou sofrimento.

2.    Os crentes também estão isentos do tempo da ira registrado em Ap 3.10. Isto é apoiado pela maneira com que a preposição grega ‘ek’ é usada nesta passagem.

3.    Todas as posições de arrebatamento tribulacionista prevêem um reino milenal. A posição pré-tribulacionista requer que crentes vivos e não glorificados entrem no reino, para assim o repovoarem (Zc 12.10-13.1; Rm 11.26).

4.    Esta posição faz uma clara distinção entre o arrebatamento e a revelação, um intervalo de tempo. Isso é consistente com diferentes passagens que tratam desses dois eventos. Quanto ao arrebatamento: Jo 14.1-4; I Co 15.51-58; I Ts 4.13-18; quanto à revelação ou à 2ª vinda de Cristo: Zc 14; Mt 24.29-31; Mc 13.24-27; Lc 21.25-27; Ap 19.

5.    Esta posição dá ênfase à iminência. Cristo pode voltar a qualquer momento; portanto, os crentes têm uma atitude de expectativa (Tt 2.3). Não existem advertências preparatórias de uma tribulação próxima para os crentes da era da igreja (At 20.29-30; 2 Pe 2.1; I Jo 4.1-3).

6.    Esta posição contempla uma tribulação literal conforme mostrada em Ap 6-19. Não há nenhuma menção à igreja em Ap 4-18 (argumento do silencio).

7.    Aquele que detém, mencionado em 2 Ts 2.1-12, é o Espírito Santo que habita na igreja. Ele precisa removê-la (a igreja) antes do inicio da tribulação.

 

Argumentos Contra:

  1. Os cristãos estão isentos da ira de Deus, mas a maior parte dos textos que tratam da tribulação referem-se à tribulação que os crentes sofrem. Isenção da ira não significa isenção da tribulação. Além disso, se os cristãos estão isentos da ira da tribulação, aqueles que cressem durante a tribulação teriam de ser arrebatados no momento da conversão.
  2. O sentido normativo de ‘ek’ é “tirado do meio de” e não implica em ser afastado da provação. Pode significar preservado da tribulação sem ser tirado da provação. A preposição normal com o sentido de “manter afastado de” é ‘apó’.
  3. Os 144 mil do Apocalipse podem povoar a terra durante a época do milênio.
  4. A “bendita esperança” e o “glorioso aparecimento” são o mesmo evento (arrebatamento e revelação). O NT fala de uma 2ª vinda, e não de duas vindas ou de uma vinda em dois estágios. A distinção pode estar na natureza dos eventos e não em diferenças de tempo.
  5. Para os apóstolos e para a igreja primitiva durante essa época, a iminência estava relacionada com a 2ª vinda de Cristo. Assim, os dois eventos são coincidentes e não separados (Mt 24.3,27,37,39; 2 Ts 2.8; Tg 5.7-8; I Jo 2.28). Ademais, 2 Ts 2.1-10 pode enumerar eventos que devem ser esperados antes do arrebatamento.
  6. Boa parte da linguagem de Ap 6-19 é figurada; a tribulação também o pode ser. O argumento do silencio é um raciocínio inerentemente fraco.
  7. O ministério de habitação do Espírito Santo não é equivalente à sua obra de retenção. Além disso, o texto não equipara claramente o que detém com o Espírito Santo, ou a remoção da retenção com o arrebatamento da igreja.

 

 2. Meso-Tribulação

Esta posição entende que a igreja, os crentes em Cristo, serão arrebatados no meio do período da tribulação, antes da Grande Tribulação. Este conceito reúne o melhor das posições da pré-tribulação e da pós-tribulação. Ele também tem o arrebatamento no meio da septuagésima semana.

 

Argumentos a Favor

1.    Esta posição apresenta menos problemas do que os conceitos pré ou pós-tribulacionistas. Ela evita os problemas dos dois extremos.

2.    As Escrituras dão grande ênfase aos 3 anos e meio (42 meses, 1260 dias) que dividem os 7 anos da tribulação (Dn 7; 9.27; 12.7; Ap 11.23; 12.3,6,14).

3.    O discurso do Monte das Oliveiras (Mt 24-25) fala da vinda, aparecimento e retorno de Cristo. Ele coincide com a passagem do arrebatamento em I Ts 4.15.

4.    2 Ts 2.14 claramente especifica sinais que precedem o arrebatamento.

5.    Ap 11.15-19 menciona a 7ª trombeta, que é idêntica à trombeta de Deus em I Ts 4.16.

6.    Esta posição mantém a distinção entre o arrebatamento e a revelação, que são assim dois estágios da vinda de Cristo.

7.    A igreja é libertada da ira de Deus, mas não de provações e testes, uma vez que o arrebatamento ocorre no meio da tribulação, logo antes da grande manifestação da ira de Deus.

8.    Assim como no livro de Atos há uma sobreposição em termos do programa de Deus para a igreja e para Israel, assim há uma sobreposição no programa de Deus no livro do Apocalipse.

9.    Esta posição permite que os santos não glorificados do final da tribulação entrem no reino milenal para repovoar o mundo.

 

Argumentos Contra

1.    Existe uma perda da iminência nesta posição (assim como na pós-tribulação). Nós já não somos chamados a vigiar e esperar, mas a aguardar sinais preparatórios, conforme indicados no livro do Apocalipse e Mt 24.1-14.

2.    A ênfase no meio da tribulação é devida ao rompimento da aliança com Israel (Dn 9.27), e não ao arrebatamento.

3.    O único elo concreto é o uso do termo parousia em ambas as passagens. Esse elo torna-se débil por causa de muitas outras diferenças nos contextos.

4.    2 Ts 2.1ss refere-se aos dois eventos que precedem o Dia do Senhor, e não ao arrebatamento da igreja.

5.    O arrebatamento realmente ocorre em Ap 11 só porque existe um toque da trombeta? O argumento é fraco e não tem base bíblica.

6.    A pré-tribulação também mantém a distinção temporal. A pós-tribulação igualmente mantém uma distinção, embora seja uma diferença em essência e não no tempo.

7.    Aqueles que sustentam essa posição devem ver um novo conceito de ira no livro do Apocalipse. Há uma espiritualização forçada dos capítulos 1-11 com propósitos contemporâneos e não para cumprimento futuro. A igreja pode ser libertada da ira seja pelo arrebatamento pré-tribulação ou pela proteção contra a ira.

8.    A igreja tem em si tanto judeus quanto gentios. Todavia, isso não torna necessária uma sobreposição do programa de Deus para a igreja e para Israel como nação.

9.    A pré-tribulação também permite o repovoamento. Além disso é possível que alguns descrentes entrem no Milênio, uma vez que a conversão de Israel não ocorrerá até a 2ª Vinda.

 
 
 3. Pós-Tribulação

Esta posição afirma que os crentes vivos serão arrebatados na 2ª vinda de Cristo, que irá ocorrer no final da tribulação.

 

Argumentos a Favor

1.    O arrebatamento é precedido por sinais inconfundíveis (Mt 24.3-31). Esses sinais são parte do período de tribulação pelo qual os santos têm de passar. Sua culminância será o retorno de Cristo, que incluirá o arrebatamento dos crentes (Mt 24.29-31, 40-41). No discurso do Monte das Oliveiras, Cristo fala do arrebatamento em conexão com a revelação.

2.    A parábola do joio e do trigo (Mt 13.24) mostra que a separação irá ocorrer no final dos tempos. Naquela ocasião, os bons (crentes) serão separados dos maus (incrédulos) e isso irá ocorrer no final da tribulação.

3.    A seqüência da ressurreição exige que todos os crentes de todas as eras sejam ressuscitados em seus corpos glorificados no final da tribulação (Ap 20.4-6).

4.    Os ensinos do NT acerca do retorno de Cristo não fazem distinção  de estágios: epifania, manifestação, revelação, parousia, o dia , o dia de Jesus Cristo, o dia do Senhor.

5.    A expressão “te guardarei da hora da provação”, em Ap 3.10, também pode referir-se à libertação da ira de Satanás que está atuando no período da tribulação.

6.    O surgimento de apostasia é um sinal que irá preceder o retorno de Cristo (2 Ts 2.8).

7.    Boa parte do ensino bíblico dado à igreja acerca do tempo do fim torna-se sem sentido se a igreja não irá passar pela tribulação (Mt 24.15-20).

 

Argumentos Contra

1.    Esta posição levanta problemas quanto ao repovoamento do reino milenal por crentes de carne e sangue se todos eles são arrebatados e glorificados.

2.    A noção de que os 144 mil do apocalipse são aqueles que irão repovoar a terra deixa de levar em consideração o contexto desta passagem.

3.    Seu argumento exegético de Ap 3.10 com ek (“de”) é fraco. Interpretar “provação” como qualquer outra coisa exceto a ira de Deus não faz justiça a esta palavra ou à passagem.

4.    A seqüência dos eventos, relacionando-se I Ts 4 com o arrebatamento e I Ts com o Dia do Senhor, é desprezada ao se determinar a ordem cronológica dos eventos.

5.    Assim como a Escritura pode ser um tanto reticente quanto a um arrebatamento pré-tribulação, existe um silencio ainda maior quanto a um arrebatamento pós-tribulação. Isso é especialmente verdadeiro na epístola profética joanina do Apocalipse, que dá mais ênfase ao retorno de Cristo. Um exemplo disso são as vagas referencias à igreja em Apocalipse 4-18.

6.    O argumento de que o arrebatamento pós-tribulação era a crença da igreja cristã histórica cai por terra quando verificamos que aquilo que se acreditava na igreja primitiva é bastante diferente do que se acredita hoje. Não obstante, o fundamento de uma verdade doutrinária não é a igreja primitiva, mas a Palavra de Deus.

7.    Esta posição conflita com o ensino do retorno iminente de Cristo. A Escritura nos ensina a vigiar e esperar, não os sinais preparatórios da vinda de Cristo, mas a bendita esperança da sua volta (Tt 2.13).