Espírito Santo
Pneumatologia
Doutrina acerca do Espírito Santo
O Espírito Santo é a pessoa da Trindade que menos atenção tem recebido no curso da história da Igreja, bem como por parte dos teólogos nestes dois mil anos de reflexão teológica.
Sua doutrina tem sido pomo de discórdias, o elemento mais significantemente divisor da Igreja de Cristo no curso da história.
Muito erro e confusão existem em nossos dias no tocante à personalidade, as operações e às manifestações do Espírito Santo.
Buscando obter uma visão panorâmica da Pessoa e Obra do Espírito Santo, talvez tenhamos maior êxito dividindo os fatos a Seu respeito em dois períodos: Pré e Pós-pentecostal.
- Antes do Pentecostes
O Espírito Santo pré-existia como a Terceira Pessoa da Divindade, e nessa qualidade esteve sempre ativo, mas o período que antecedeu ao dia de Pentecostes não foi a época de Sua atividade especial. O período do AT foi de preparação e espera.
Naturalmente que o Espírito esteve ativo durante aquele período; porém, o número de vezes que Ele é mencionado no AT, em contraste com o número de vezes que é mencionado no NT, mostra-nos a notável diferença existente em Suas ministrações no AT e no NT.
Durante esse período pré-pentecostal, o Espírito descia sobre os homens apenas temporariamente, a fim de inspira-los para algum serviço especial, e deixava-os quando essa tarefa ficava terminada. Ele não permanecia geralmente com os homens, nem neles habitava.
- Após o Pentecostes
Este período, que se estende do dia de Pentecostes até os nossos dias, pode legitimamente ser chamado de dispensação do Espírito. Assim como no AT Deus aparecia aos homens, e durante a vida terrena de Cristo habitou entre os homens, semelhantemente, após o dia de Pentecostes, por meio do Espírito Santo, Deus veio para habitar nos homens. Ele vem para permanecer.
“Em um sentido muito real, o Espírito Santo está encarnado na Igreja, assim como
Cristo estava encarnado no corpo humano de Jesus de Nazaré. Naturalmente que isso
não pode ser levado a um ponto extremo. Há, aliás, um ponto de nítida diferença.
No caso de Jesus, havia Divindade unida a uma humanidade não caída. Mas a união do Espírito Santo com a Igreja é a presença de Deus na humanidade caída.” [O’Rear]
O dia de Pentecostes marcou o raiar de um novo dia nas relações entre o Espírito Santo e a humanidade. Ele veio para habitar na Igreja. Todo o trabalho eficaz que a Igreja tem feito tem sido realizado no poder do Espírito. A incredulidade, a dúvida e a crítica podem ataca-la, mas não podem derrota-la. A Igreja, o verdadeiro Corpo de Cristo, habitado pelo Santo Espírito de Deus, é tão indestrutível como o Trono de Deus.
A – A Natureza do Espírito Santo
I – A Divindade do Espírito Santo
Ário, um presbítero de Alexandria, do quarto século de nossa era, introduziu o ensino, sustentando que Deus é Uma Eterna Pessoa, que Ele criou Cristo, o Qual por Sua vez criou o Espírito Santo, negando assim Sua Divindade. Esse ensino obteve grande aceitação na igreja de então, mas foi corrigido pelo Credo Niceno, de 325 DC.
1. Seu Significado
Por divindade do Espírito Santo se entende que Ele é Um com Deus, fazendo parte da Divindade, sendo co-igual, co-eterno e consubstancial com o Pai e com o Filho.
2. Sua Prova
a) Nomes divinos são-lhe atribuídos.
a.1 – Ele é chamado “Deus” (At 5.3,4).
a.2 – Ele é chamado “Senhor” (2Co 3.18)
O Espírito Santo é claramente identificado com Deus nas passagens acima, de modo tal que comprova inequivocamente a Sua Divindade.
b) São-lhe referidos atributos divinos.
b.1 – Eternidade (Hb 9.14)
b.2 – Onipresença (Sl 139.7-10)
b.3 – Onipotência (Lc 1.35)
b.4 – Onisciência (I Co 2.10,11)
Outros textos: Jo 14.26; 16.12,13.
c) Obras divinas são por Ele realizadas
c.1 – Criação (Jó 33.4; Sl 104.30)
c.2 – Transmissão de vida (Rm 8.11; Gn 2.7; Jo 6.63; 3.5-8; Tt 3.5; Tg 1.18)
O Espírito Santo é o autor, tanto da vida física como da vida espiritual.
c.3 – Autoria da profecia divina (2 Pe 1.21; 2 Sm 23.2,3)
d) Aplicação de afirmações do AT, referentes a Iavé, que no NT são atribuídas ao Espírito Santo (Is 6.8-10 c/ At 28.25-27; Ex 16.7 c/ Hb 3.7-10).
“Os profetas eram os mensageiros de Deus; eles proferiam as palavras do Senhor, transmitiam Seus mandamentos, pronunciavam Suas ameaças e anunciavam Suas promessas, visto que falavam conforme eram movidos pelo Espírito Santo. Serviam de órgãos de Deus porque eram os órgãos do Espírito. Por conseguinte, o Espírito há de ser Deus.” [Hodge]
e) Associação do nome do Espírito Santo aparece com os nomes do Pai e de Cristo.
e.1 – Na Comissão Apostólica (Mt 28.19)
e.2 – Na Administração da Igreja (I Co 12.4-6)
e.3 – Na Benção Apostólica (2 Co 13.13)
Doutrina è De muitos modos inequívocos, Deus, em Sua palavra, proclama distintamente que o Espírito Santo não é apenas uma pessoa, mas é uma Pessoa Divina.
II – A Personalidade do Espírito Santo
- Seu Significado
Possui ou contém em si mesmo os elementos de existência pessoal, em contraste com a existência impessoal ou vida animal.
É difícil definir personalidade quando é atributo de Deus. Deus não pode ser aquilatado pelos padrões humanos. Deus não foi feito à imagem do homem, mas o homem é que foi feito à imagem de Deus. Somente Deus possui personalidade perfeita.
Pode-se dizer que personalidade existe quando se encontram, em uma única combinação, inteligência, emoção e volição, ou ainda, autoconsciência e autodeterminação.
- Sua Prova
a) A Necessidade de Prova
a.1 – Porque em contraste com as outras pessoas da Trindade, o Espírito parece impessoal.
“Várias manifestações de Deus Pai tornam relativamente fácil perceber Sua paternidade em termos de personalidade; a encarnação torna quase, senão inteiramente, impossível desacreditar na personalidade de Jesus Cristo, porém, as ações e operações do Espírito Santo são de tal forma secretas e místicas, tanta coisa se diz de Sua Influencia, Graça, Poder e Dons, que ficamos inclinados a pensar nEle como se fosse uma influencia, um poder, uma manifestação ou emanação da natureza divina, e não como uma pessoa” [Evans]
a.2 – Por causa dos nomes e símbolos usados a respeito do Espírito Santo que sugere o que é impessoal, tais como: fôlego, vento, poder, fogo, azeite e água. Vejam-se como ilustrações (Jo 3.5-8; At 2.1-4; Jo 20.22; I Jo 2.20; Ef 5.18; I Ts 5.19; Jo 7.38,39)
a.3 – Porque nem sempre o Espírito Santo é associado ao Pai e ao Filho nas saudações do NT. Ver como ilustração (I Ts 3.11).
a.4 - Porque a Palavra ou nome “Espírito” é neutra no grego (pneuma).
b) Prova da Personalidade do Espírito Santo
b.1 – Pronomes pessoais masculinos são aplicados ao Espírito Santo (Jo 15.26; 16.7,8,13,14).
b.2 – Associações do Espírito Santo com as outras pessoas da Trindade e com os homens (Mt 28.19; At 15.28; 2 Co 13.14)
b.3 – Características pessoais atribuídas ao Espírito Santo
Por característica não nos referimos a mãos, pés ou olhos, pois estas coisas denotam corporeidade, mas, antes, qualidade, como conhecimento, sentimento e vontade, que indicam personalidade.
b.3.1 – Inteligência (I Co 2.10,11; Rm 8.27)
O Espírito Santo não é mero poder ou influencia iluminadora, e sim uma pessoa dotada de intelecto que conhece as profundezas de Deus e no-las revela.
b.3.2 – Vontade (I Co 12.11)
Ora, aquilo que é impessoal não possui volição.
b.3.3 – Amor (Rm 15.30)
b.3.4 – Bondade (Ne 9.20)
b.3.5 – Tristeza (Ef 4.30)
Ninguém pode entristecer a Lei da Gravidade, ou fazer com que se lamente o vento oriental. Portanto, a não ser que o Espírito Santo seja uma Pessoa, a exortação de Paulo, aqui, seria sem significado e supérflua.
b.4 – Atos pessoais atribuídos ao Espírito Santo
Através das Escrituras o Espírito Santo é representado como um agente pessoal, a realizar atos que só podem ser atribuídos a uma pessoa.
b.4.1 – Ele perscruta as profundezas de Deus (I Co 2.10).
b.4.2 – Ele fala (Ap 2.7) è As Escrituras também mostram o Espírito a clamar (Gl 4.6) e a dar testemunho (Jo 15.26).
b.4.3 – Ele intercede (Rm 8.26).
b.4.4 – Ele ensina (Jo 14.26; 16.12-14; Ne 9.20)
b.4.5 – Ele guia e conduz (Rm 8.14; At 16.6,7)
b.4.6 – Ele chama homens e comissiona (At 13.2; 20.28).
b.5 – O Espírito Santo merece tratamento pessoal
b.5.1 – Podemos rebelar-nos contra Ele e entristecê-lO (Is 63.10; Ef 4.30)
b.5.2 – Pode-se mentir para Ele (At 5.3)
b.5.3 – Pode-se blasfemar contra Ele (Mt 12.31,32)
Blasfemar significa “falar do Ser Supremo em termos de ímpia irreverência; ultrajar ou falar repreensivamente de Deus, de Cristo ou do Espírito Santo” [Webster]. E blasfemar desse modo seria impossível se o objeto da irreverência não fosse pessoal.
Doutrina: - Mediante o uso de pronomes pessoais, as associações pessoais, as características pessoais possuídas, as ações pessoais realizadas e o tratamento recebido, as Escrituras provam que o Espírito Santo é uma pessoa.
- Sua Importância, conforme demonstrada
a) Em conexão com a adoração è Se o Espírito Santo é uma Pessoa Divina, e no entanto é desconhecida ou ignorada como tal, está sendo privado do amor e da adoração que Lhe são devidos. Se, por outro lado, entretanto, Ele é apenas uma influencia, uma força ou um poder que emana de Deus, estaríamos praticando idolatria ou falsa adoração.
b) Do ponto de vista do trabalho è É necessário decidirmos se o Espírito Santo é um poder ou força que nos compete obter e usar, ou se Ele é uma Pessoa da Divindade, que tem o direito de controlar-nos e usar-nos. O primeiro conceito leva à auto-exaltação e à altivez, mas o outro nos conduz à auto-humilhação e à auto-renúncia.
c) Por motivo de Sua relação com a experiência cristã è É do mais alto valor experimental sabermos se o Espírito Santo é mera influencia ou força impessoal, ou se é nosso Amigo e Ajudador sempre presente, nosso divino Companheiro e Guia.
B – Os Nomes do Espírito Santo
Muitos nomes são dados ao Espírito Santo, nas Santas Escrituras, que revelam para nós diversos aspectos de Sua Pessoa e obra. O número bastante grande desses títulos parece exigir um estudo especial.
I – Nomes do Espírito Santo que descrevem Sua Própria Pessoa.
- O Espírito (I Co 2.10) è O termo grego “pneuma”, aplicado ao Santo Espírito, envolve tanto o pensamento de “fôlego” como o de “vento”.
a) Como “fôlego” (Jo 20.22; Gn 2.7; Sl 104.30; Jó 33.4; Ez 37.1-10) è O Espírito é o hálito de Deus – a vida de Deus que dEle sai para vivificar.
b) Como “vento” (Jo 3.6-8; At 2.1-4)
- Espírito Santo (Lc 11.13; Rm 1.4)
O caráter moral essencial do Espírito é salientado nesse nome. Ele é Santo em pessoa e caráter, e também é o Autor direto da santidade do homem.
A razão de o Espírito ser chamado de santo com mais freqüência que as demais Pessoas da Trindade, não é porque Ele seja mais santo que as outras duas, pois a santidade infinita não admite graus. Ele é assim oficialmente designado porque Sua obra é santificar.
- Espírito Eterno (Hb 9.14) è Assim como a eternidade é atributo ou característica da natureza de Deus, semelhantemente a eternidade pode ser e é atribuído ao Espírito Santo como uma das distinções pessoais no Ser de Deus.
II – Nomes do Espírito Santo que demonstram Sua relação com Deus.
- O Espírito de Deus (I Co 3.16) è Esse nome retrata o Espírito Santo como Alguém que procede da parte de Deus. Ele é enviado pelo Pai e pelo Filho. Ele é o poder e a energia pessoais da Divindade.
- O Espírito de Jeová (Is 11.2) è Esse nome se refere ao Espírito Santo como Aquele por meio de Quem os profetas falavam.
- O Espírito do Senhor Jeová (Is 61.1) è Esse título mostra o Espírito Santo como o Agente por intermédio de Quem é exercida a soberania de Deus.
- O Espírito do Deus vivo (2 Co 3.3) è O Espírito é aqui apresentado como Alguém que escreve ou traça a imagem de Cristo sobre “as tábuas de carne, dos corações”, e por meio de Quem o crente se torna uma epístola viva.
Doutrina: - Há nomes, dados ao Espírito Santo, que demonstram Sua identidade com a Divindade, salientando Sua natureza, Sua autoridade e Seu poder divino.
III – Nomes do Espírito Santo que demonstram Sua relação com o Filho de Deus
- O Espírito de Cristo (Rm 8.9; At 2.36) è Esse nome mostra a relação do Espírito para com o Messias, o Ungido de Deus. O próprio Espírito é tanto a unção como Aquele que unge.
- O Espírito de Seu Filho (Gl 4.6) è O Espírito de Seu Filho produz, no coração do crente, o Espírito filial dando-lhe a certeza de que é um dos filhos de Deus.
- O Espírito de Jesus (At 16.6,7; Mt 28.19 c/ At 1.1,2) è Este nome meramente salienta a relação do Espírito para com o Filho Jesus.
- O Espírito de Jesus Cristo (Fp 1.19 c/ At 2.32,33; Is 11.2 c/ Hb 1.9) è Esse nome identifica o Messias divino com o homem Jesus, e mostra a relação que o Espírito Santo sustenta com Ele, conforme aqui identificado.
São dados nomes ao Espírito Santo que revelam sua relação com o Filho de Deus em seu estado preexistente, durante sua vida terrena, e após a sua ressurreição.
IV – Nomes do Espírito Santo que demonstram Sua relação com os homens
- Espírito Purificador (Is 4.4 cf. Mt 3.11c) è Esse nome representa o Espírito Santo como Aquele que perscruta, ilumina, refina e purifica da escória.
- O Santo Espírito da Promessa (Ef 1.13 cf. At 1.4,5; 2.33) è Este nome se refere ao Espírito Santo como o cumprimento da promessa do Pai feita ao Filho. O Espírito também proporciona ao crente a certeza de que as promessas que Deus Lhe tem feito são garantidas.
- O Espírito da Verdade (Jo 15.26; 14.17; 16.13; I Jo 4.6; 5.6) è Assim como Deus é amor, o Espírito Santo é Verdade. Ele possui, revela, proporciona, introduz, testifica e defende a Verdade. Nesse sentido Ele se opõe ao “espírito do erro” (I Jo 4.6).
- O Espírito da Vida (Rm 8.2) è Ele não é apenas o Espírito vivo, mas também é o Espírito que transmite a vida.
- O Espírito da Graça (Hb 10.29) è É por meio do Espírito que nos tornamos conhecedores da graça de Deus. Na qualidade de Pessoa da Divindade que leva a término qualquer ato iniciado por Deus, o Espírito Santo leva avante a obra da graça iniciada na vida do crente.
- O Espírito da Glória (I Pe 4.13,14; Ef 3.16-19 cf. Rm 8.16,17) è O Espírito Santo não somente é uma Pessoa gloriosa, mas, igualmente, é o Revelador das riquezas da glória de Deus para nós outros.
- O Consolador (Jo 14.26; 15.26; 16.7) è O mesmo vocábulo grego aqui traduzido por “Consolador” é traduzido por “Advogado”, ao referir-se a Cristo, em I Jo 2.2. Significa “chamado para o lado de” ou, ainda, “quem aparece em defesa de”, como faz um advogado em tribunal humano. Mas também está envolvido o pensamento de “Fortalecedor”, isto é, alguém que dá vigor e torna forte. Portanto, é exibida uma relação extremamente pessoal nesse nome. Em linguagem comum, poder-se-ia interpretar assim: “um que fica ao nosso lado a fim de ajudar”.
Ponto Doutrinário è Certos nomes são dados ao Espírito Santo que O descrevem em Sua relação com os homens, quer real quer potencialmente.
C. A Obra do Espírito Santo
Ao considerarmos a obra do Espírito Santo, precisamos lembrar a verdade que todas as Pessoas da Trindade são ativas na obra de cada Pessoa individual. Alguns nos dizem que Deus Pai operou na Criação, que Deus Filho operou na Redenção e que Deus Espírito Santo opera na Salvação. Mas isso não é verdade, pois em cada manifestação das obras de Deus, a Trindade total se mostra ativa; o Pai é o Autor, o Filho é o Executor e o Espírito é o Ativador de cada ato. Por conseguinte, o Espírito Santo é Aquele que ativa e leva a término os atos iniciados.
I – Em Relação ao Universo Material.
- No tocante à sua Criação (Sl 33.6; Jó 33.4)
- No tocante à sua Restauração e Preservação (Gn 1.2; Sl 104.29,30; Is 40.7) è A presente ordem de desenvolvimento, na natureza e no homem, a partir de um estado caótico e subdesenvolvido, e sua manutenção, é efetuada através da agencia do Espírito Santo.
Ponto Doutrinário è O Espírito Santo é visto como Agente Ativo da criação e da preservação do universo material.
II – Em Relação aos Homens Não-Regenerados.
A obra principal do Espírito Santo, em relação aos perdidos, é a da convicção. Deve-se fazer a distinção entre a convicção da consciência e a convicção do Espírito Santo. A consciência convence do erro praticado – o Espírito convence do erro no próprio ser. A consciência pode ser assemelhada a um tribunal – juiz, júri e testemunhas – todos a tratar do erro praticado, do que não há meio de escapar. O Espírito Santo convence ao mesmo tempo em que faz surgir um raio de luz, revelando uma solução e um meio de escape. Algumas vezes essa convicção é chamada de “convicção evangélica”.
- O Espírito luta com eles (Gn 6.3) è O Espírito luta com os homens, procurando refreá-los para que não prossigam em um caminho de insubordinação e impiedade.
Essa luta é travada por meio de instrumentalidades humanas, tais como Enoque, Noé e todos os crentes. Disse Jesus: “Vós sois o sal da terra”. A função da luz é de refrear ou segurar as trevas, e a função do sal é preservar da corrupção. Assim também o Espírito Santo, por meio da Igreja e dos crentes individuais, mediante influencia, exemplo e testemunho, luta com os homens contra carreiras de pecado e iniqüidade.
- Ele testifica-lhes (Jo 15.26; At 5.30-32)
- Ele convence-os (Jo 16.8-11) è Nesse passo, vemos que o Espírito convence ou reprova o mundo do pecado, justiça e julgamento.
Ele convence, não primariamente do pecado de quebra da lei, mas do pecado de incredulidade: “do pecado, porque não crêem em mim” (At 2.36,37). Visto que todo o pecado tem sua raiz na incredulidade, a forma mais grave de incredulidade é a rejeição de Cristo. O Espírito Santo, entretanto, ao apegar essa verdade à consciência, longe de extinguir, pelo contrário consuma e intensifica o senso de todos os outros pecados.
Ele convence o mundo da justiça pessoal de Cristo, o que envolve a veracidade de Suas declarações a Seu próprio respeito, conforme foi atestado pelo fato de ter ido para o Pai (At 2.33). Essa justiça é um cumprimento e manifestação de todas as outras justiças. Essa convicção produz a auto-condenação.
Ele também convence da justiça providenciada, que Cristo recebeu a fim de concede-la a todos quantos viessem a confiar nEle.
Ele convence o mundo do juízo, o que é atestado pelo fato de ser obra já consumada do julgamento de Satanás. Nesse todos os demais juízos foram decididos e baseados. O julgamento de Satanás foi assegurado na cruz, quando, potencialmente, lhe foi tirado o poder. Isso, juntamente com o julgamento daqueles que preferem permanecer aliados de Satanás, será consumado no grande dia.
Nessa tríplice obra, o Espírito Santo glorifica a Cristo. Ele mostra-nos que é pecado não confiar em Cristo, revela-nos a justiça de Cristo e a obra vitoriosa de Cristo em relação a Satanás. Nossa tarefa consiste tão somente em pregar a palavra da verdade, dependendo do Espírito Santo para produzir convicção (At 2.4,37).
Ponto Doutrinário è O Espírito Santo, mediante o uso da verdade, luta com os homens e leva-os à convicção.
III – Em Relação aos Crentes
- Ele Regenera (Jo 3.3-6; Tt 3.5; Jo 6.63; I Pe 1.23; Ef 5.25,26; I Co 2.4 cf. I Co 3.6) è Assim como Jesus foi gerado pelo Espírito Santo, semelhantemente todo homem, para que se torne filho de Deus, precisa ser gerado pelo Espírito de Deus.
Jesus Cristo, em Sua ressurreição e ascensão, assumiu Sua plena prerrogativa de Doador da Vida para Seu corpo místico, a Igreja. O novo nascimento ou ato regenerador, portanto, é a concessão da natureza divina ao homem (2 Pe 1.4) e não uma alteração em sua natureza; e o Espírito Santo é o agente da transmissão dessa nova natureza.
- Ele Batiza no Corpo de Cristo (Jo 1.32-34; I Co 12.12-13; At 1.5). O Batismo do Espírito Santo é aquele ato que tem lugar por ocasião da conversão, mediante o qual a pessoa se torna membro do Corpo de Cristo. Essa obra tem sido realizada na vida de cada crente, embora nem sempre seja reconhecida.
O batismo no Espírito Santo não é algo a ser conquistado pelo crente após a regeneração; antes, já foi obtido para ele por ocasião da regeneração. O batismo do Espírito teve inicio no dia de Pentecostes, mas se estende através dos séculos e prosseguirá até que o último membro tenha sido acrescentado à Igreja. “Em um só Espírito”, escreve o apóstolo Paulo, “todos nós fomos batizados em um Corpo”.
- Ele habita no crente (I Co 6.15-19; 3.16; Rm 8.9) è O Espírito Santo vem habitar ou fixar residência na vida do crente, por ocasião da regeneração, e ali permanece, seja qual for o grau de imperfeição ou imaturidade desse crente. A habitação do Espírito é uma fase posterior da obra da regeneração. Assim Ele possibilita o crescimento da nova vida iniciada. Precisamos perceber e reconhecer Sua presença permanente no templo de nossos corpos. Esse reconhecimento deve torna-los sagrados e levar-nos a conserva-los imaculados, livres do pecado. O reconhecimento da Sua presença é igualmente o segredo da experiência de Seu poder.
- Ele sela (Ef 1.13,14; 4.30) è Ele sela - tornando o crente propriedade Sua. Os crentes de Éfeso podiam compreender perfeitamente a ilustração do selo, pois Éfeso era porto de mar, com ativo negócio de madeiras. O comerciante em madeiras vinha a Éfeso, selecionava e comprava sua madeira, e selava-a com a marca reconhecida de que ela lhe pertencia. Freqüentemente deixava sua compra no porto, juntamente com outras jangadas, para depois enviar um agente de confiança, que comparava o sinal do selo e levava a madeira que pertencia ao seu legitimo proprietário. O Espírito Santo é o selo de propriedade que Deus põe sobre uma vida humana; é o carimbo divino e a garantia da herança eterna.
- Ele proporciona segurança (Rm 8.14,16) è O Espírito Santo concede a segurança e a confiança necessárias para a paz e o calmo repouso de espírito prometidos ao filho de Deus. Ele testifica da verdade da filiação do crente (2 Co 1.12,22).
- Ele fortalece (Ef 3.16) è Os resultados desse fortalecimento são vistos nos vers. 17-19. O poder do Espírito se torna operante em nossas vidas corporificando e entronizando realmente a Cristo, o que é descrito como Sua habitação (fixação permanente de residência) em nossos corações , os quais são arraigados e alicerçados em amor, fortalecidos para que possam compreender, com todos os santos, qual a largura e o comprimento, a altura e a profundidade e conhecer o amor de Cristo que excede todo entendimento, o que resulta em sermos tomados de toda a plenitude de Deus.
- Ele enche o crente (Ef 5.18-20; At 4.8,31; 2.4; 6.3; 7.54,55; 9.17,20; 13.9,10,52; Lc 1.15,41,67,68; 4.1; I Jo 7.38,39) è As Escrituras fazem menção apenas de um batismo do Espírito Santo, ao passo que o ser cheio do Espírito não é limitado a uma única experiência, mas pode ser repetida muitas vezes, sem limite de número. Não é mister uma longa busca para receber essa experiência. Pode ocorrer por ocasião da conversão, e deve ser buscado de novo em cada nova emergência ou ato de serviço cristão.
Há duas condições necessárias à sua realização: completa submissão da vida e uma apropriação definida, por meio da fé.
- Ele Liberta (Rm 8.2) è O capitulo anterior (Rm 7.9-24) define a lei do pecado e da morte. Diz o apóstolo: “ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim” (7.21); “o querer o bem está em mim; não, porém, o efetua-lo” (7.18). Paulo havia sido bem educado na lei de Deus, dada a Moisés, e sabia que lhe cabia observar seus preceitos; mas ele, pessoalmente, encontrava outra lei que operava nele e que entrava em conflito com essa lei: a lei do pecado e da morte. Em sua perplexidade, visto que sua mente aprovava a lei de Deus mas suas ações aprovavam a lei do pecado e da morte, Paulo descobriu, em Cristo Jesus, uma 3ª lei – a lei do Espírito da vida – que o libertava da lei do pecado e da morte. É a obra do Espírito Santo livrar-nos do domínio da lei inferior e capacitar-nos a andar em harmonia com a lei superior.
- Ele Guia (Rm 8.14)
- Ele chama para serviço especial (At 13.2,4) è O Espírito Santo não somente dirige o teor geral da vida cristã mas seleciona e chama homens para trabalhos especiais, tais como missões, o ministério, o ensino etc...
Esta passagem não nos diz como o Espírito Santo chama os homens, presumivelmente porque nem sempre Ele os chama do mesmo modo. A nós compete estar dispostos a ser chamados, a desejar a chamada, a busca-la e a esperar que o Espírito Santo nos chame. Ele não chama a todos para o trabalho missionário em terras distantes, embora todo crente deva estar pronto a atender a essa chamada. Chama, entretanto, a cada crente para algum campo de serviços e o guiará a esse campo especifico se o crente se submeter.
- Ele orienta em serviço (At 8.27-29) è Quando nos rendemos a Deus, o Espírito não só dirige nossas vidas pessoais, mas também nos orienta para conduzirmos outras pessoas à luz, à vida e ao amor de Deus em Jesus Cristo, nosso Senhor.
- Ele Equipa para o Trabalho.
- Ele Ilumina (I Co 2.12,14) è Não há treva alguma nas Escrituras (Sl 119.130). Não obstante, no homem existem trevas. Portanto, como diz a Bíblia em Sl 36.9. A mente do homem precisa primeiro ser iluminada pelo Espírito de Deus, antes que possa interpretar corretamente ou entender a Palavra de Deus.
- Ele Instrui (Jo 16.13,14) è Podemos receber instrução da parte de Deus por intermédio de outros homens que tenham sido iluminados pelo Espírito Santo. João cria nisso, pois do contrario nunca teria escrito sua epistola para ensinar a outros. Entretanto, o Espírito Santo é o Divino Instrutor, e nunca seremos verdadeiramente ensinados enquanto não formos ensinados por Ele.
A verdade que Ele nos quer ensinar parece seguir ao longo de duas linhas: a respeito daquilo que pertence a Cristo, aquilo que O glorifica e a respeito das coisas do futuro.
- Ele capacita (I Ts 1.5; At 1.8; I Co 2.1-5) è “’Mais poder’ é o clamor universal, e o propósito e a providencia de Deus é que seus filhos sejam adequada e permanentemente capacitados. No dia de Pentecostes veio o poderosíssimo dom pelo que homens que anteriormente se tinham mostrado débeis e tímidos, se tornaram fortes e ousados por Cristo. Esse poder não conhece qualquer limite. Continua sendo ‘infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos’ que Deus quer que esperemos e recebamos.” [Soltau].
- Ele Produz o Fruto das Graças Cristãs (Gl 5.22,23 cf. Rm 14.17; 15.13; 5.5) è Toda verdadeira beleza de caráter, toda semelhança com Cristo em nós, é operação do Espírito Santo. Ele é para o crente cristão o que a seiva é para a árvore – a fonte da vida e do poder produtivos.
O fruto aqui referido não é o serviço cristão nem a conquista de almas, embora isso necessite ser frisado, mas é o fruto do caráter cristão.
“O fruto não consiste em algum exercício enérgico. Não é a realização laboriosa a fim produzir alguma excelência. É, antes, o resultado normal e natural de uma condição sadia. Se a alma estiver com saúde, e o Espírito a preencher, então, haverá fruto.” [O. Rear]
O fruto do Espírito aqui descrito é, na realidade, o retrato do caráter de Jesus Cristo. Temos aqui, em substancia, aquilo que Paulo afirma em Gl 2.20: “Cristo vive em mim”.