Angelologia (1)

21/06/2011 15:41

 

ANGELOLOGIA

 

ANGELOLOGIA - Etmologicamente, a palavra, deriva-se, de duas palavras gregas:  aggelos  = anjo +  logia   = tratado, estudo.

 

Logo, a definição do termo é: O estudo acerca dos anjos.

 

NOTA: O léxico do NT grego, define aggelos  = mensageiro, enviado  (Lc 7.24);  guardião  (At 12.15);  intermediário (Gl 3.19);  servo dos santos  (Hb 1.14).

 

  • Podemos definir anjos da seguinte maneira: anjos são seres espirituais criados com juízo moral e alta inteligência, mas sem corpos físicos.

 

I -  INTRODUÇÃO

 

Muitas passagens das Escrituras ensinam que há uma ordem de seres celestiais totalmente distintos da humanidade e da Divindade, que ocupam uma posição exaltada acima da atual posição do homem caído.  Estes seres celestiais são mencionados pelo menos 108 vezes no A.T. e 165 vezes no N.T.

 

Os anjos são referidos na Bíblia de Gênesis ao Apocalipse, desde  “os carvalhais de Manre” (Gn 13.18) até à ilha de Pátmos (Ap 1.9). As mais antigas evidências arqueológicas em favor da crença na existência dos anjos vêm de Ur-Namus, de cerca de 2.250 A.C., onde anjos são vistos a adejar por sobre a cabeça do rei, enquanto este orava.  Visto que Abraão chegou àquela  região pouco depois disso, é possível que ele estivesse familiarizado com a angelologia desde a juventude.  Como é óbvio, a angelologia estava misturada a todas as formas mitológicas possíveis, religiões e superstições primitivas, sendo crença generalizada entre todas as religiões da antigüidade. Que nem todos os conceitos acerca dos anjos correspondem à realidade é algo óbvio, mas isso não significa que tais seres (dotados de impressionantes atributos) não existam. Durante o cativeiro babilônico, a angelologia recebeu maior atenção da parte dos judeus. O zoroatrismo (cerca de 100 a.C.) sem dúvida muito contribuiu para a angelologia dos hebreus, mas a sua crença na existência desses seres antecede por muitos séculos ao zoroatrismo. Parece que quase todos os povos têm acreditado em seres espirituais que poderíamos chamar de “anjos”, embora seus idiomas não tenham algum vocábulo que possamos traduzir em português dessa maneira (“mensageiro”, ou algo similar).  O N.T. se inicia com anjos ocupados em serviço ativo e jamais põe em dúvida a sua existência.

 

A designação anjo (tanto mal’ák do A.T. hebraico, como aggelos do N.T. grego) significa “mensageiro”.   Eles executam o propósito daquele a quem servem.  Os anjos santos são os mensageiros do seu Criador, enquanto que os anjos caídos são os mensageiros de Satanás, “o deus deste mundo”, os quais eles escolheram servir.

 

Às vezes, os homens também são chamados de anjos (Ap 1.20), embora há argumentos que estes seres celestiais são os mensageiros das 7 igrejas da Ásia.

 

Desde que o universo foi ordenado, Deus não quis dar ao homem qualquer comunicação com os anjos, ou qualquer consciência de sua presença; mas a Bíblia declara que os anjos não apenas observam o que os homens fazem, mas também servem ao bem-estar do homem (Hb 1.14) e os anjos maus fazem guerra contra aquilo que foi criado por Deus (Ef 6.12). 

 

“Não há evidencias de que outras ordens de seres finitos serão introduzidos nesta dispensação ou nas dispensações futuras.” [Chafer]

 

A presença dos seres espirituais tem sido reconhecida em quase todos os sistemas de religião.

 

            Algumas razões para se crer na existência de anjos:

·      Antes de tudo, a existência e ministério dos anjos são ensinados fartamente nas Escrituras.  Nosso Senhor tem muito a dizer a respeito dos anjos e não podemos deixar de lado os Seus ensinamentos sob a pretensão orgulhosa de termos conhecimento superior.

 

·      A evidência de possessão demoníaca e adoração a demônios em países pagãos.  Paulo parece considerar a idolatria do mundo como adoração a demônios (I Co 10.20,21). Nos últimos dias, esta adoração ao demônio e a ídolos deve aumentar bastante (Ap 9.20,21).

 

·      A prática do espiritualismo nos países chamados civilizados. Deus condena veementemente a necromancia e a consulta a espíritos familiares (Dt 18.10-12; Is 8.19,20);  Este fenômeno tende a aumentar nos últimos dias (I Tm 4.1).

 

·      A obra de Satanás e dos espíritos maléficos, atrapalhando o progresso da graça em nossos próprios corações e a obra de Deus no mundo (Ef 6.12).

 

Quanto aos usos do termo anjo, são diversos: o profeta (Hc 1.13), um sacerdote (Ml 2.7), ou os seres celestiais (Sl 29.1; 89.6) podem ter esse título.  Um uso mais amplo ainda inclui também a coluna de nuvem (Ex 14.19), a pestilência (2 Sm 24.16,17), os ventos (Sl 104.4), e as pragas (Sl 78.49).

 

Angelologia é um assunto intrigante e estimulante. Precisamos estudá-lo para que possamos conhecer mais sobre o assunto no objetivo de crescimento próprio e ate mesmo no sentido de podermos responder a todos quantos nos indagarem sobre estas questões e também por ser um assunto tão falado e presente hoje em nossa sociedade.

 

Muito se tem escrito no mundo secular e religioso acerca dos anjos, explorando a credulidade de pessoas espiritualmente carentes e supersticiosas, induzindo-as à conceituações erradas e falsas sobre o mundo espiritual. Neste estudo, procuraremos aclarar a verdade e a realidade do assunto segundo a revelação feita pela Bíblia Sagrada.

 

PESQUISE:  001 -  O que é zoroatrismo ?

                        002 -  O que é Necromancia ?

 

 

II - Fatos gerais sobre os anjos

1.  Esferas  angélicas

A astronomia moderna apresentou evidencias da vastidão da criação material.  Sistemas solares maiores do que este, estende-se além do alcance do poder humano de compreensão.  Outros sóis com tudo o que os rodeia, afastados desta terra e do seu sol por trinta e sessenta bilhões de milhas, foram constatados.

 

Desde tempos mais remotos os homens têm considerado a questão se esta terra é o único planeta habitado.

 

Foi revelado que os anjos habitam nas esferas celestiais e em quantidade além da computação humana.  Eles se reúnem em grupos que são identificados como tronos e domínios, principados e poderes, autoridade e exércitos dos céus.

 

2.  A realidade dos anjos

São mais do que simples poderes imanentes de Deus. Embora de maneira nenhuma sejam independentes no sentido de serem auto-originários, auto-mantenedores ou capazes de auto-aniquilação, eles são seres livres e tem, pelo menos no passado, escolhido o seu próprio destino dentro do poder de sua própria escolha (2 Pe 2.4; Jd 1.6).

 

A suficiência dos anjos, como de todos os seres criados, vem só de Deus. Eles vivem e se movem por virtude de sua capacitação divina.  Até mesmo o arcanjo Miguel, quando entrou em controvérsia com Satanás, declarou a sua dependência de Deus (Jd 1.9).

 

3.  A Personalidade dos Anjos

Embora seu serviço e dignidade possam variar, não há nenhuma implicação na Bíblia de que alguns anjos são mais inteligentes que outros.  Cada aspecto da personalidade dos anjos foi declarado.  Eles são seres individuais e, embora espíritos, experimentam emoções;  eles prestam cultos inteligentes (Sl 148.2); eles contemplam com o devido respeito a face do Pai (Mt 18.10);  eles conhecem suas limitações (Mt 24.36), sua inferioridade para com o Filho de Deus (Hb 1.4-14); e, no caso dos anjos caídos, eles conhecem a sua capacidade de fazer o mal. Os anjos são individuais, mas, embora às vezes apareçam em uma condição separada, estão sujeitos a classificações e a variadas categorias de importância.

 

4.  A Criação e o modo de Existência dos Anjos

De Cl 1.16,17 deduzimos que todos os anjos foram criados simultaneamente.  Igualmente, deduzimos que a criação dos anjos foi completa naquela ocasião e que nenhum outro foi acrescentado depois ao seu número. Eles não estão sujeitos à morte ou qualquer forma de extinção; portanto, eles não diminuem nem aumentam de número. O plano pelo qual a família humana tem garantia de propagação não tem o seu correlativo entre os anjos. Cada anjo, sendo uma criação direta de Deus, tem um relacionamento imediato e pessoal com o Criador (Mt 22.28-30; vd. Ne 9.6 cf. Sl 148.2,5).  

           

III -  A ORIGEM DOS ANJOS

 

Que os anjos não são eternos é mostrado pelos versículos que falam de sua criação (Ne 9.6; Sl 148.2,5; Cl 1.16) e também se subentende em I Tm 6.16. A época de sua criação não é indicada com precisão em parte alguma, mas é mais provável que tenha se dado juntamente com a criação dos céus em Gn 1.1.  Pode ser que Deus os tenha criado imediatamente após ter criado os céus e antes de ter criado a terra, pois de acordo com Jó 38.4-7, “rejubilavam todos os filhos de Deus” quando Ele lançava os fundamentos da terra. Embora as Escrituras não citem números definidos, dizem-nos que o número de anjos é muito grande (Dn 7.10; Mt 26.53;  Hb 12.22).

 

IV  -  A NATUREZA DOS ANJOS

 

1.  Não são seres humanos glorificados  - Em Mt 22.30 diz que seremos como anjos, mas não diz que seremos anjos. No futuro, os crentes hão de julgar os anjos (I Co 6.3), que deve ser referir aos anjos maus.  Mas isto é muitíssimo diferente de dizer que seremos anjos.  As “incontáveis hostes de anjos” são diferenciadas dos “espíritos dos justos aperfeiçoados” (Hb 12.22,23).

 

2.  São incorpóreos - Sl 104.4 citado em Hb 1.7; 1.14; Ef 6.12. Isto comparados com a existência humana e animal, pois, não há uma organização mortal. As Escrituras dão a entender que os anjos têm uma corporificação. Para os santos no céu foi prometido um “corpo espiritual”, um corpo adaptado ao espírito do homem (I Co 15.44). Tal é, realmente, o corpo do Senhor glorificado (Fp 3.21).  Há muitos tipos de corpos até mesmo na terra, o apóstolo declara (I Co 15.39-40) e prossegue dizendo: “Também há corpos celestiais e corpos terrestres”. Não podemos dizer que não há corpos celestiais apenas porque o homem não tem poder de discernir esses corpos. Os anjos têm uma forma definida de organização que está adaptada à lei de sua existência.  Eles são finitos.

Normalmente eles não podem ser vistos por nós a menos que Deus nos dê a capacidade espiritual para vê-los (Nm 22.31; 2Rs 6.17; Lc 2.13). E que algumas vezes se mostraram em forma corpórea (Gn 18.19; Jz 2.1; 6.11-24; Mt 1.20; Lc 1.26; Jo 20.12; Hb 13.2).

A arte medieval apegou-se à narrativa (Dn 9.21) que descreve um anjo “voando rapidamente” como fundamento para a imposição de asas em todos os seres angélicos. É verdade que os querubins, os serafins e as criaturas viventes foram declarados com asas. E, assim, os querubins aparecem nas imagens douradas sobre a arca do propiciatório. Os anjos passam de um local para outro com incrível rapidez (Dn 9.21).

 

3. São um batalhão e não uma raça - Hb 12.22; Lc 20.34-36; A palavra “anjo” na Escritura está no gênero masculino, mas esse é também o gênero que é usado para seres que não tem distinção sexual. Por serem um batalhão e não uma raça, eles pecaram individualmente, e não através de um representante da raça. Pode ser devido a isto que Deus não tenha feito provisão de salvação para os anjos caídos.

 

4.  Excedem o homem em conhecimento, apesar de não serem Oniscientes - 2 Sm 14.20; Mt 24.36; I Pe 1.12; Que  eles são agentes pessoais é indicado pelo fato de serem  um batalhão; a mesma coisa é evidente pelo ensinamento a respeito de sua sabedoria e conhecimento.

 

5. São mais fortes que o homem, apesar de não serem Onipotentes  -  Sl 103.20;  2 Pe 2.11;  2 Ts 1.7,8;  At 5.19;  12.7,23;  Mt 28.2; Is 37.36; Ap 20.1-3; 

Não sofrem a ação do fogo e da água  (Dn 3.25; Jz 13.19,20  vd. 2 Rs 19.35)

 

6.  São criaturas - Sl 148.1-5;  Cl 1.16; Hb 1.5-14; Ne 9.6; Eles não existem desde sempre. Foram feitos do nada pelo poder de Deus.  Não conhecemos a época exata de sua criação, porém sabemos que antes que aparecesse o homem, já eles existiam, havia muito tempo, e que a rebelião daqueles sob Satanás já se havia registrado, deixando duas classes - os anjos bons e os anjos maus.  Sendo eles criaturas, recusam a adoração (Ap 19.10; 22.8,9) e ao homem, por sua parte, é proibido adorá-los  (Cl 2.18).

 

7.  São espíritos (Hb 1.14) - Eles não estão limitados às condições naturais e físicas devido ao fato de serem criaturas espirituais. Aparecem e desaparecem  à vontade, e movimentam-se com uma rapidez  inconcebível sem usar meios naturais. Apesar de serem puramente espíritos, tem o poder de assumir a forma de corpos humanos a fim de tornar visível sua presença aos sentidos do homem (Gn 19.1-3). Eles podem aparecer com aspectos de olhos brilhantes como fogo, aspecto que aterroriza ou que tranqüiliza. Podem até comer ou beber, mas isso nada tem a ver com um corpo físico.  Entenda-se que um espírito (especialmente se tratando de seres celestiais) está acima da matéria e não é de se estranhar que possam executar atos próprios do homem limitado pela carne.

Exemplos de anjos que se revelaram em forma corpórea: (Gn 18.19; Jz 2.1; 6.11-24; Mt 1.20; Lc 1.26; Jo 20.12; Hb 13.2).

 

8.  São imortais  -  Lc 20.34-36.

 

9.  São numerosos -  Dn 7.10;  Mt 26.53;  Lc 2.13;  Hb 12.22.

 

10.  São seres assexuados -  Lc 20.34,35.

 

11. São pessoas - Três elementos distinguem uma pessoa: Inteligência, sentimento e vontade.

Os seres celestiais comunicam-se, agem, trabalham relacionados com outros.

 

12. São seres moralmente livres - Está provado pela queda de muitos deles. Eles escolheram, por si mesmos, seguir a Lúcifer (Satanás). O relato dessa rebelião, por parte do “chefe”, está registrado em Ez 28.14-16; Is 14.12s; e 2Pe 2.4. Pedro diz que eles pecaram.  Ora, o pecado é um ato da vontade de uma pessoa, que se opõe à vontade de Deus (Jd 6).

É evidente que os anjos que continuam a servir ao Senhor, o fazem por sua livre e espontânea vontade. Eles não se sentem constrangidos ou obrigados a isso. Eles têm livre arbítrio.

 

ADENDOS:

  • Reconhecem sua inferioridade ao Filho de Deus (Jesus Cristo)  Hb 1.4-14.
  • Jesus, como homem, é ser gerado apenas.
  • Os anjos são apenas criados.
  • Os homens são criados e gerados.

·         Como seres pessoais, os anjos são indivíduos, por isso mesmo estão sujeitos à classes distintas na hierarquia divina.